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Trabalho à distância chegou para ficar na Alemanha

Hannah Fuchs
23 de julho de 2020

Menos estresse, mais produção, compatibilidade com a vida familiar: após meses de pandemia, é positiva a avaliação de muitos que adotaram o home office, aponta pesquisa. Mas também as empresas veem vantagens no sistema.

Rapaz sentado com o computador na janela
Grande parte dos empregados parece ter se arranjado bem com o trabalho à distância, afirma pesquisaFoto: picture-alliance/dpa/K. Nietfeld

"Três... dois... um... home office!" Para a maioria dos afetados, no começo da pandemia de covid-19 a transição do escritório da empresa para a mesa de trabalho em casa foi um salto no escuro.

Era preciso desenvolver novas sequências de tarefas, uma nova gestão de tempo, apresentaram-se novos fatores de interferência e distração, novos conhecimentos sobre a vida privada dos colegas – e, sem dúvida, uma ou outra dificuldade técnica a enfrentar.

Neste ínterim, contudo, grande parte dos empregados parece ter se arranjado bastante bem com as circunstâncias do trabalho à distância, segundo mostra uma pesquisa encomendada pela seguradora de saúde alemã DAK Gesundheit. Para tal, dois institutos de pesquisa consultaram 7 mil empregados antes e durante a pandemia.

Enquanto antes 21% dos assalariados se sentiam sistematicamente estressados, o número caiu para 15% durante a crise do coronavírus – e mesmo apesar dela. Paralelamente, cresceu de 48% para 57% a porcentagem dos que nunca se estressam, ou só ocasionalmente.

Entre os que agora trabalham regularmente de casa, 56% se consideraram mais produtivos do que no escritório. Além disso, dois terços consideram mais fácil conciliar profissão e família desse modo. Uma proporção semelhante se alegra com o tempo ganho por não ter que se deslocar para o local de trabalho.

"Trabalhar de casa não só reduz o perigo de contágio com infecções virais, mas também favorece o equilíbrio psicológico", é o balanço do presidente da DAK, Andreas Storm. Contudo é preciso utilizar as conclusões positivas para o futuro "sem ignorar os aspectos negativos do home office, que também existem", ressalva.

Pois a análise também revelou que a metade dos consultados sente falta da divisão clara entre emprego e vida privada – na faixa etária dos 18 aos 29 anos, isso chega a afetar uma maioria de 52%. Além disso, 75% têm nostalgia do contato direto com os colegas.

Apesar de tudo, muitos não gostariam de abrir mão de trabalhar de casa: 76,9% dos que só adotaram essa modalidade desde a crise do coronavírus querem mantê-la também no futuro, pelo menos em parte. Essas conclusões coincidem com as de outro estudo recente, realizado pelo Instituto Fraunhofer de Economia e Organização do Trabalho (IAO).

O ponto de vista dos empregadores

Entretanto a pesquisa da DAK também revelou um outro efeito colateral da pandemia: 57% dos empregadores ampliou sensivelmente as possibilidades de trabalho digital. O impulso maior se registrou entre os pioneiros digitais, ou seja: firmas com um histórico de adotar as novas tecnologias de modo rápido e o mais amplo possível. Porém também os mais lentos já reagiram à crise.

Entre os setores que ampliaram ou estão ampliando as alternativas de trabalho digital com especial intensidade estão os bancos e seguradoras (80%) e prestadores de serviços de tecnologia da informação (TI, 75%). Com 68%, respectivamente, os ramos de indústria automotiva, cultura e mídia reagiram um pouco acima da média.

Porém o presidente da Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK), Eric Schweitzer, freia um pouco a euforia. Em entrevista à agência de notícias DPA, ele se mostrou crítico, pelo menos quanto à implementação do trabalho digital.

"Também notamos que podemos resolver em regime móvel muita coisa que até então não considerávamos cogitável", admitiu. "No entanto não podemos nos entregar à ilusão de que se possa cuidar de casa da nossa vida econômica completa." Embora contando que haverá mais videoconferências e menos viagens de trabalho, para Schweitzer "no longo prazo não é possível dirigir a maioria das empresas a partir do computador".

Ou será que sim? Recentemente a Siemens aprovou uma nova concepão em que o trabalho móvel funcionaria como elemento nuclear da "nova normalidade": "A crise do coronavírus desencadeou um impulso de digitalização. Sempre houve trabalho móvel na Siemens, mas agora vamos mais um passo adiante", anunciou o atual diretor de trabalho e diretor-executivo designado da companhia, Roland Busch.

Além disso, o principal conglomerado alemão de tecnologia espera que o novo programa promova maior desenvolvimento de sua cultura empresarial. "Conectado a isso está também um outro estilo de liderança, voltado para os resultados e não para a presença no escritório", explicou Busch.

A Siemens quer estabelecer desde já o home office para toda a empresa, pelo menos por dois a três dias por semana, numa medida que se aplica a mais de 140 mil de seus funcionários em 43 países, dos quais 45 mil na Alemanha.

No fim das contas, a covid-19 poderá de fato contribuir para transformar o trabalho de maneira duradoura. Apesar de todo ceticismo, até mesmo o presidente da DIHK reconhece que o mundo profissional se transformará consideravelmente, e que "não vamos voltar aos tempos de antes do coronavírus".

É, de fato, possível que o home office sobreviva à pandemia, e não só graças às experiências positivas de muitos funcionários: uma enquete do Instituto de Pesquisa Econômica Ifo, de Munique, revelou que 54% das empresas também partem do princípio que essa forma de trabalho aumentará no longo prazo.

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