França condena 10 por assédio online a Brigitte Macron
5 de janeiro de 2026
Grupo espalhou notícias falsas sobre sexualidade e gênero da primeira-dama francesa. Diferença de idade entre ela e o marido, o presidente francês Emmanuel Macron, também gerou falsos comentários sobre pedofilia.
Brigitte Macron diz que iniciou processo judicial para "dar um exemplo" na luta contra o assédio onlineFoto: Arnaud Journois/MAXPPP/dpa/picture alliance
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Um tribunal de Paris condenou nesta segunda-feira (05/01) dez pessoas acusadas de assédio online contra a primeira-dama da França, Brigitte Macron.
Os réus – oito homens e duas mulheres com idades entre 41 e 65 anos – foram acusados de terem publicado inúmeros comentários alegando falsamente que a esposa do presidente francês, Emmanuel Macron, teria nascido homem, e comparando a diferença de idade de 24 anos entre eles à pedofilia. Algumas das postagens nas redes sociais foram visualizadas dezenas de milhares de vezes.
O juiz Thierry Donard destacou comentários "particularmente degradantes, insultuosos e maliciosos" referentes a alegações falsas que sugeriam que Brigitte Macron seria transgênero e pedófila.
"As publicações repetidas tiveram efeitos nocivos cumulativos", concluiu, acrescentando que os acusados agiram com a intenção de causar danos à primeira-dama.
Um dos réus foi condenado a seis meses de prisão, enquanto oito deles receberam penas suspensas de entre quatro e oito meses. Todos os dez serão obrigados a participar de um treinamento de conscientização sobre cyberbullying.
Anos de alegações falsas
Brigitte Macron não compareceu ao julgamento de dois dias, realizado em outubro. Neste domingo, ela disse que iniciou o processo judicial para "dar um exemplo" na luta contra o assédio online.
O relacionamento entre Brigitte, de 72 anos, e o presidente francês, Emmanuel Macron, de 48 anos, gerou amplo interesse desde que ele chegou ao poder, em 2017.
O caso surgiu após anos de teorias da conspiração que alegavam falsamente que Brigitte Macron nasceu com o nome de Jean-Michel Trogneux, que na verdade é o nome de seu irmão. O casal Macron também entrou com um processo por difamação nos Estados Unidos contra a influenciadora conservadora Candace Owens.
Casados desde 2007, eles se conheceram quando ela era professora de teatro na escola jesuíta onde ele estudava, na cidade de Amiens. Na época, ela se chamava Brigitte Auzière, era casada e mãe de três filhos.
Casados desde 2007, Brigitte e Emmanuel Macron se conheceram quando ela era professora na escola onde ele estudavaFoto: Ludovic Marin/REUTERS
Seu advogado, Jean Ennochi, disse nesta segunda-feira que "o importante é que haja treinamentos imediatos de conscientização sobre o cyberbullying e, para alguns dos réus, a proibição do uso de suas contas nas redes sociais".
Uma das filhas de Brigitte, Tiphaine Auzière, testemunhou durante o julgamento sobre o que descreveu como a "deterioração" da vida de sua mãe desde que o assédio online se intensificou.
"Ela não consegue ignorar as coisas horríveis que foram ditas sobre ela", disse Auzière, de 41 anos, ao tribunal. Ela afirmou que o impacto se estendeu a toda a família, incluindo os netos da primeira-dama.
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Réus disseram ter intenções "satíricas"
As autoridades judiciais francesas não divulgaram os nomes dos réus, mas alguns deles se revelaram ao se manifestarem publicamente.
Durante o julgamento, vários deles disseram ao tribunal que seus comentários tinham a intenção de serem humorísticos ou satíricos e afirmaram não entender por que estavam sendo processados.
Um dos réus mais proeminentes, o galerista Bertrand Scholler, de 56 anos, disse que o julgamento visava sua "liberdade de pensar". O tribunal o condenou a seis meses de prisão suspensa e à suspensão imediata de seus perfis nas redes sociais também por seis meses.
Uma das mulheres julgadas, que já havia sido alvo de uma queixa por difamação apresentada por Brigitte Macron em 2022, era Delphine J., de 51 anos, uma autodenominada médium espiritual e escritora que usa o pseudônimo Amandine Roy.
Ela é considerada a principal responsável pela disseminação dos boatos sobre Brigitte Macron após publicar um vídeo de quatro horas em seu canal do YouTube em 2021, e foi condenada a seis meses de prisão.
Outro réu era Aurelien Poirson-Atlan, de 41 anos, conhecido nas redes sociais como Zoe Sagan e frequentemente associado a círculos de teorias da conspiração. Ele recebeu uma sentença suspensa de oito meses e teve seus perfis nas redes sociais bloqueados por seis meses. Em outubro, no tribunal, ele defendeu seu direito ao que chamou de "sátira".
O único réu que não foi condenado à prisão foi um professor, que pediu desculpas durante o julgamento. Ele, no entanto, terá que participar do treinamento de conscientização sobre cyberbullying.
Todos os dez réus também foram condenados a pagar conjuntamente 10.000 euros (R$ 63 mil) em indenizações por danos morais a Brigitte Macron.
rc/le (AFP, AP)
O mês de janeiro em imagens
Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: Adam Gray/REUTERS
Mortos em protesto já são mais de 500
A TV estatal mostrou familiares entre cadáveres do lado de fora do Instituto Médico Legal de Kahrizak, em Teerã. Ao menos 538 morreram em duas semanas de protestos no Irã, segundo ativistas. Número de prisões no país passa de 10,5 mil, incluindo menores. Autoridades americanas avaliam possibilidade de intervenção. Regime iraniano convocou manifestação pró-governo para o dia seguinte. (11/01)
Foto: Vahid online
Protestos no Irã somam mais de 50 mortos
Os protestos em massa no Irã também levaram manifestantes às ruas na Alemanha. Em Berlim (foto), cerca de 1.400 foram a uma passeata, enquanto outras 300 se reuniram em uma praça próxima. Em Frankfurt, cerca de 1.300 foram às ruas. Após quase 14 dias de protestos no Irã, o saldo de mortos no país ultrapassou 50. O filho do último xá, Reza Pahlavi, convocou os iranianos a uma greve geral. (10/01)
Foto: Ebrahim Noroozi/AP Photo/picture alliance
UE aprova acordo de livre comércio com Mercosul
Após mais de 25 anos de negociações, membros do bloco europeu aprovam pacto que cria a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores. Tratado não entrará em vigor imediatamente, pois também requer a aprovação do Parlamento Europeu. (09/01)
Foto: Santiago Mazzarovich/dpa/picture alliance
ONGs relatam dezenas de mortes em protestos no Irã
Manifestações contra os graves problemas econômicos se espalharam pelo país e se tornaram protestos em larga escala que questionam a legitimidade do governo islâmico do Irã. Entidades revelam dezenas de mortes em várias regiões do país em meio a um "apagão nacional" da internet, (08/01)
Foto: Kamran/Middle East Images/picture alliance
Neve e gelo paralisam aeroportos e provocam caos na Europa
A Europa enfrenta uma intensa onda de frio que tem provocado fortes nevascas, gelo e ventos, resultando no cancelamento de centenas de voos, suspensão de serviços de transporte e mortes relacionadas ao clima. Nos Balcãs, neve e chuva torrencial causaram inundações, queda de árvores e cortes de energia. Na França, cinco pessoas morrerm e, na Holanda, 700 voos foram cancelados. (07/01)
Foto: Kiran Ridley/AFP
Coalizão pró-Ucrânia estabelece garantias de segurança pós-trégua
Coalizão pró-Ucrânia concordou com um arcabouço de garantias de segurança destinado a dissuadir futura agressão russa a Kiev caso um acordo de paz seja aprovado. Ele inclui: monitorar o cessar-fogo; apoiar as forças armadas da Ucrânia; implantar uma força multinacional em terra, mar e ar; definir resposta em caso de novo ataque; e estabelecer cooperação de defesa de longo prazo com Kiev. (06/01)
Foto: Christinne Muschi/AP Photo/picture alliance
EUA vira alvo de críticas no Conselho de Segurança da ONU
Em reunião do Conselho de Segurança, Rússia, China e aliados tradicionais dos EUA criticam ações americanas na Venezuela. Embaixador dos EUA, Mike Waltz, repetiu acusações feitas por Trump de que o líder venezuelano capturado, Nicolás Maduro, seria chefe narcoterrorista fugitivo, responsável pela morte de milhares de americanos. "Fins não justificam os meios", disse embaixador do Brasil. (05/01)
Foto: Eduardo Munoz/REUTERS
Tensão e incerteza em Caracas após captura de Maduro
As forças militares da Venezuela reconheceram Delcy Rodríguez, a vice-presidente de Nicolás Maduro, como presidente interina, na esteira da captura do líder venezuelano pelos EUA. Mesmo assim, a população ainda não sabia quem de fato comandava o país, e o clima de tensão se fazia presente na capital, com policiamento reforçado nos arredores do Palácio de Miraflores. (04/01)
Foto: Leonardo Fernandez Viloria/REUTERS
EUA capturam presidente Nicolás Maduro na Venezuela
Os EUA lançaram ataques militares contra a Venezuela, capturando o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores. Houve explosões de madrugada, e o casal foi levado da sua residência em Caracas a Nova York, onde seriam julgados por suposta conexão com o narcotráfico internacional. Governistas e oposicionistas se dividiram, dentro e fora do país, entre celebrações e apreensão. (03/01)
Foto: X account of Rapid Response 47/AFP
Suíça decreta cinco dias de luto
A Suíça decretou luto oficial após uma tragédia com 40 mortos na estação de esqui Crans-Montana durante as celebrações do Ano Novo. O presidente suíço, Guy Parmelin, descreveu o incidente como um dos mais traumáticos da história do país. "Um drama de proporções desconhecidas", afirmou, ao homenagear as "vidas jovens que foram perdidas e interrompidas". (02/01)
Um incêndio em um bar no centro da estação de esqui Crans-Montana, na Suíça , provocou cerca de 40 mortes e deixou mais de cem feridos, a maioria com gravidade, segundo a polícia do cantão de Valais. Dezenas de pessoas comemoravam a chegada de 2026 no bar Le Constellation quando o fogo começou por volta de 1h30 (horário local). (01/01)