Trump ameaça declarar Estreito de Ormuz território dos EUA
15 de agosto de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira (14/08) que planeja declarar o Estreito de Ormuz um "território dos EUA" após "derrotar o Irã". Embora não esteja clara a seriedade da afirmação, realizada num comício no estado de Nova York, o republicano elevou o tom de ameaça mais uma vez, num momento sensível nas estagnadas negociações com o regime iraniano.
"Depois que terminarmos de derrotar o Irã, que está sendo derrotado muito gravemente, muito em breve declararei o estreito de Ormuz território dos EUA, em essência. Temos um bloqueio. Nenhum navio passa a menos que queiramos que passe", afirmou o republicano.
Vence na segunda-feira o prazo de 60 dias que EUA e Irã estabeleceram com a assinatura de um memorando de entendimento em junho. O texto declarava a "interrupção imediata e permanente das operações militares em todas as frentes" como parte de um processo para negociar o fim da guerra.
O estreito de Ormuz, entre Irã e Omã, é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás e se tornou um dos principais pontos de tensão do conflito entre EUA e Irã.
Guerra de versões
Um funcionário da Casa Branca disse posteriormente ao jornal Wall Street Journal, sob condição de anonimato, que Trump estava brincando.
Mas, anteriormente nesta semana, Trump já fizera referência à possibilidade de os EUA "ficarem" com o estreito de Ormuz. Segundo ele, o seu país já controla a rota marítima de fato, porque os ataques americanos realizados desde fevereiro dizimaram as capacidades militares iranianas. O regime dos aiatolás rejeita a afirmação.
"Os EUA têm o controle total do estreito de Ormuz. Acho que vamos ficar com ele!", escreveu Trump na quarta-feira, na própria rede social, acrescentando que "não há nada que o Irã possa fazer a respeito".
Em resposta, o número dois da diplomacia do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou neste sábado que o estreito de Ormuz "permanecerá iraniano".
"O estreito de Ormuz foi iraniano, é iraniano e continuará a ser iraniano. Este estreito só será aberto e fechado por ordem do Irã", declarou. "Enquanto se recusarem a aceitar a realidade da derrota e continuarem a se iludir, o Irã continuará a impor um bloqueio."
Por sua vez, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse na última quinta-feira que os EUA pretendem impor ao Irã um "isolamento econômico e o bloqueio continuado do estreito de Ormuz". Já o secretário de Guerra, Pete Hegseth, ameaçou manter o bloqueio "indefinidamente".
Em contrapartida, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, afirmou na terça-feira que o estreito de Ormuz não será reaberto até que os EUA ponham fim à guerra e ao bloqueio naval contra o Irã, liberem seus ativos congelados e aceitem um cessar-fogo que inclua também Líbano e Faixa de Gaza.
Novos ataques contra petroleiros
Com as negociações diplomáticas travadas entre os adversários de longa data, os ataques no Estreito de Ormuz continuam. A ADNOC, gigante petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, reportou no sábado que um de seus navios foi alvo de um ataque na noite anterior.
O país do Golfo também culpou o Irã por outros ataques a duas embarcações enquanto elas passavam pelo estreito na véspera. Ataques como estes levaram anteriormente ao colapso de um cessar-fogo firmado em abril entre Estados Unidos e Irã.
O acordo firmado em junho entre Washington e Teerã — destinado a servir como ponto de partida para negociações sobre um acordo permanente — previa que o Irã e Omã definiriam futuros arranjos para o estreito em discussão com outros países do Golfo e "em conformidade com o direito internacional aplicável".
Antes da guerra, o Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás. Os preços subiram repetidamente desde que eclodiu a disputa sobre a via navegável, aumentando a pressão econômica e política sobre os Estados Unidos. O Irã quer agora controlar o estreito e cobrar pedágios, poderes que não exercia antes da guerra.
ht (EFE, Lusa, AFP, ots)
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