Trump coloca estátua de Cristóvão Colombo na Casa Branca
23 de março de 2026
Escultura é réplica de um modelo derrubado na cidade de Baltimore durante os protestos após a morte de George Floyd.
Trump busca reconhecer a figura histórica controversa de ColomboFoto: Andrew Leyden/ZUMA/picture alliance
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A Casa Branca instalou uma estátua do explorador italiano Cristóvão Colombo em seus jardins, na mais recente iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reconhecer a figura histórica controversa.
A estátua é uma réplica daquela que foi derrubada na cidade de Baltimore, na costa leste dos EUA, em 2020, durante protestos nacionais contra o racismo nas instituições americanas, desencadeados pela morte de George Floyd.
A nova estátua foi colocada nos jardins do Edifício Executivo Eisenhower, que fica ao lado da Casa Branca. Trump chamou Colombo de "o herói americano original e um dos homens mais galantes e visionários" da Terra, em uma carta enviada à Conferência dos Presidentes das Principais Organizações Ítalo-Americanas, divulgada neste domingo (22/03).
"Estamos muito satisfeitos que a estátua tenha encontrado um lugar onde possa brilhar em paz e ser protegida", disse John Pica, presidente da entidade das organizações ítalo-americanas.
"No governo desta Casa Branca, Cristóvão Colombo é um herói, e o presidente Trump garantirá que ele seja honrado como tal por gerações", publicou a Casa Branca no X.
Por que Colombo é uma figura controversa
As expedições financiadas pela Espanha e lideradas por Cristóvão Colombo, a partir da década de 1490, abriram caminho para a conquista e colonização das Américas pela Europa.
Os protestos do movimento Black Lives Matter em 2020 levaram a uma reavaliação do racismo institucional e de símbolos do período colonial associados à escravidão.
Manifestantes jogaram estátua de Colombo no rio em BaltimoreFoto: Jerry Jackson/ZUMA/IMAGO
Manifestantes em várias cidades passaram a mirar estátuas de Colombo, devido ao fato de que ele e suas tripulações foram responsáveis pelo genocídio e pela exploração do povo taino no Caribe, entre outros. Isso estabeleceu um padrão que seria repetido por futuros colonizadores em relação a outros povos indígenas das Américas.
Nos últimos anos, instituições e organizações nos Estados Unidos substituíram o Dia de Colombo, em 12 de outubro, pelo Dia dos Povos Indígenas. O ex-presidente dos EUA Joe Biden marcou a data com uma proclamação em 2021.
Entretanto, Trump rejeita essa mudança, chamando-a de ideologia "antiamericana". "Eu estou trazendo o Dia de Colombo de volta das cinzas. Os democratas fizeram tudo o que podiam para destruir Cristóvão Colombo, sua reputação e todos os italianos que o amam tanto", declarou em abril de 2025.
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Estátuas polêmicas
Colombo não é a única figura controversa a reaparecer. Na semana passada, o Departamento do Interior dos EUA informou que uma estátua de Caesar Rodney será exibida em Washington. Rodney foi um dos líderes americanos que assinou a Declaração de Independência, mas também era um conhecido escravizador. Sua estátua foi removida durante os protestos por justiça racial em Delaware em 2020.
Uma estátua do general confederado Albert Pike, também derrubada durante os protestos de 2020, foi reinstalada no ano passado em Washington.
cn (DW)
Protestos pela morte de George Floyd
Milhares se manifestaram nos Estados Unidos e até no Canadá contra o maltrato sistêmico de negros pela polícia, redundando em confrontações violentas. Trump contribuiu para acirrar os ânimos.
Foto: picture-alliance/AP Photo/J. Cortez
"Não consigo respirar"
Protestos tensos contra décadas de brutalidade policial perante cidadãos negros se alastraram rapidamente de Minneapolis a outras localidades dos Estados Unidos. As manifestações começaram na cidade do centro-oeste após a morte do afro-americano George Floyd, de 46 anos: em 25/05/2020, um policial o algemou e pressionou o joelho em seu pescoço até ele parar de respirar.
Foto: picture-alliance/newscom/C. Sipkin
De pacífico a violento
No sábado, os protestos foram basicamente pacíficos, mas se tornaram violentos com o avançar da noite. Em Washington, a Guarda Nacional foi mobilizada diante da Casa Branca. Tiroteios no centro de Indianápolis deixaram pelo menos um morto: segundo a polícia, não havia agentes envolvidos. Policiais ficaram feridos em Filadélfia. Em Nova York, dois veículos da polícia avançaram contra uma multidão.
Foto: picture-alliance/ZUMA/J. Mallin
Saques e destruição
Em Los Angeles, manifestantes enfrentaram com brados de "Black Lives Matter!" (Vidas negras importam) os agentes da lei armados de cassetetes e revólveres com balas de borracha. Na cidade, assim como em Atlanta, Nova York, Chicago e Minneapolis, os protestos se transformaram em revoltas de massa, com saques e destruição de estabelecimentos comercias.
Foto: picture-alliance/AP Photo/C. Pizello
Provocador de Estado
O então presidente Donald Trump ameaçou enviar militares para abafar os protestos: "Minha administração vai parar a violência de massa, e de uma vez só", anunciou, acirrando as tensões nos EUA. Apesar de ele ter culpado supostos grupos de extrema esquerda pelas agitações, o governador de Minnesota, Tim Walz, citou diversos relatos de que supremacistas brancos estariam incitando o conflito.
Foto: picture-alliance/ZUMA/K. Birmingham
Mídia na mira da polícia
Diversos jornalistas que cobriam os protestos foram atacados por policiais. Na sexta-feira (29/05), o correspondente da CNN Omar Jimenez e sua equipe foram presos em Minneapolis. A polícia local também atirou na direção de Stefan Simons, da DW, quando ele se preparava para transmitir ao vivo, na noite de sábado. Outros repórteres foram alvejados com projéteis ou detidos quando estavam no ar.
Foto: Getty Images/S. Olson
Além das fronteiras
As manifestações chegaram até o Canadá: no sábado milhares marcharam pelas ruas de Vancouver e Toronto. Nesta cidade, os participantes também lembraram a morte da afro-canadense Regis Korchinski-Paquet, de 29 anos, na quarta-feira (27/05), caída da varanda de seu apartamento no 24º andar, onde se encontrava só com policiais.
Foto: picture-alliance/NurPhoto/A. Shivaani
#GeorgeFloyd
Milhares também desfilaram diante da embaixada dos Estados Unidos em Berlim, manifestando indignação contra o homicídio de Floyd e o racismo sistêmico.
Foto: picture-alliance/AP Photo/M:.Schreiber
Casa Branca cercada
A Força Nacional fez um cordão de isolamento, no domingo, para proteger a Casa Branca. O presidente Trump chegou a ser levado para um bunker na sede do Executivo, que foi alvo de manifestações por dias.
Foto: Reuters/J. Ernst
Soldados em Washington
Após Trump anunciar o uso de soldados para conter as manifestações, o Pentágono deslocou cerca de 1.600 militares para a área de Washington para apoiar as forças de segurança da capital caso seja necessário, diante dos protestos que marcaram uma semana da morte de Floyd. Na Alemanha, o ministro do Exterior, Heiko Maas, criticou a ameaça de Trump de usar militares armados contra os manifestantes.
Foto: Getty Images/AFP/W. McNamee
Recado de Obama
No dia em que a procuradoria endureceu as acusações contras os quatro policias envolvidos na ação, o ex-presidente dos EUA Barack Obama disse que protestos refletem "mudança de mentalidade" no país e incentivou os jovens a continuar realizando as manifestações. "Espero que (os jovens) sintam esperança, ao mesmo tempo que estão indignados, porque eles têm o poder de mudar as coisas", afirmou.
Foto: Reuters/J. Skipper
Funeral reúne centenas em Minneapolis
Centenas participaram de uma cerimônia fúnebre em homenagem a George Floyd em 04/06. Elas ficaram em silêncio por 8 minutos e 46 segundos, tempo em que Floyd ficou com o pescoço prensado pelo joelho de um policial. "É hora de nos levantarmos em nome de Floyd e dizer: tirem o seu joelho dos nossos pescoços", afirmou o reverendo e ativista pelos direitos civis Al Sharpton (foto) durante o funeral.