Presidente americano acusa Teerã de violar trégua, anuncia taxa de 20% sobre cargas e amplia tensão em disputa pelo estreito, rota de parte vital do petróleo mundial.
Crianças iranianas brincam nas águas do estreito de Ormuz após explosão nas imediaçõesFoto: Razieh Poudat/ISNA/AP Photo/picture alliance
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O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (13/07) o restabelecimento imediato de um bloqueio a navios que entram ou saem do território e portos iranianos, sob a alegação de que o Irã violou a trégua entre os dois países.
Em sua rede social, Trump afirmou que os Estados Unidos passarão a ser conhecidos como "O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ" e cobrarão dos navios de carga uma taxa de 20%, necessária "para realizar o trabalho de proporcionar proteção e segurança a esta região tão volátil do mundo".
Segundo Trump, o bloqueio impedirá apenas que navios iranianos deixem a hidrovia. Os demais países deverão continuar tendo acesso "justo e aberto" ao estreito de Ormuz, "com ou sem o Irã".
O Irã, por sua vez, insiste que está no controle da via estratégica e classificou a cobrança como abusiva. No fim de semana, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que o estreito permanecerá fechado por tempo indeterminado, até o fim da intervenção americana na região.
Cessar-fogo distante
A estreita passagem é uma rota fundamental para o transporte global de petróleo e gás natural liquefeito, e qualquer interrupção tem repercussões significaticas em todo o mundo.
A guerra começou no fim de fevereiro, quando EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã. Em resposta, Teerã restringiu o acesso a Ormuz por meio de ameaças e ataques contra embarcações. Até então, um quinto do petróleo e do gás consumidos no mundo passava pelo estreito. A interrupção provocou alta nos preços globais da energia, dos fertilizantes e de outros produtos.
Em abril, os EUA fizeram um bloqueio aos portos iranianos, com o intuito de sufocar as exportações de petróleo do país.
Em meados de junho, como parte de um acordo preliminar com o Irã voltado à negociação de um cessar-fogo duradouro, esse bloqueio havia siso suspenso. O Irã havia garantido a segurança da passagem durante 60 dias, sem tarifas para embarcações comerciais.
O estreito de Ormuz é considerado águas internacionais e não pertence a nenhum Estado específico.
Especialistas em direito marítimo defendem que a liberdade de navegação por esse tipo de passagem é um princípio fundamental da ordem internacional.
A Organização Marítima Internacional (IMO), agência das Nações Unidas responsável pela supervisão do transporte marítimo internacional, reiterou sua oposição à cobrança de pedágios para a passagem por hidrovias internacionais e informou que está observado o desenrolar dos fatos.
"Não existe base legal para a introdução de tarifas obrigatórias simplesmente para transitar por um estreito", afirmou a entidade em comunicado.
Antes da guerra, os EUA sustentavam que o estreito deveria permanecer aberto a todos e sem cobrança de tarifas, como ocorria até então.
O Irã sustenta que tem o direito de administrar o tráfego no estreito e potencialmente cobrar tarifas, a partir do acordo provisório de paz. O país prometeu reagir a qualquer interferência dos EUA.
sf (AP, dpa)
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