André Mendonça afirma que é "notoriamente inverídica" afirmação de que o senador quer retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
"Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto", afirmou o senador Flávio BolsonaroFoto: Octavio Guzmán/Agencia EFE/IMAGO
Anúncio
O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou nesta sexta-feira (25/09) que as empresas Meta, X, TikTok e YouTube retirem de suas redes sociais postagens que afirmem que o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Na sua decisão, Mendonça considerou "notoriamente inverídica" a afirmação de que Flávio Bolsonaro ou sua família "propôs, articulou, apoiou, está comprometido com ou pretende promover a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição ou do título de Padroeira do Brasil”.
Num vídeo publicado em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro desmentiu a afirmação, cuja disseminação atribuiu à militância do PT. "Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto", afirmou o senador.
Projeto de deputado foi arquivado
Um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil foi apresentado em 2007 pelo ex-deputado federal Victório Galli, do Mato Grosso, na época do MDB, e hoje candidato a deputado federal pelo PP. A Comissão de Educação e Cultura da Câmara rejeitou o projeto, que acabou sendo arquivado.
Galli não conseguiu se reeleger em 2018 e acabou sendo nomeado para a Casa Civil, na época comandada por Onyx Lorenzoni, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro.
Origem da controvérsia
A origem da controvérsia é uma declaração da jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, feita quando ela analisava o comportamento do eleitorado evangélico na eleição.
Ela disse haver um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que estaria levando adiante um projeto de lei para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Fernandes não associou esse suposto projeto a Flávio Bolsonaro nem o mencionou na sua declaração.
Mais tarde, a Globonews fez uma correção e afirmou que o projeto de lei mencionado por Fernandes foi arquivado em 2008. A emissora pediu desculpas pelo erro.
as (OTS)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Brasileiros já foram às urnas nove vezes para escolher diretamente um presidente desde o fim da ditadura. Do recorde de 22 candidatos em 1989 à tensão da acirrada disputa de 2022, confira como foram os pleitos.
Foto: Adriano Machado/REUTERS/Nelson Almeida/AFP
1989: a primeira eleição direta da redemocratização
Os brasileiros voltaram a escolher diretamente um presidente depois de 27 anos. Vinte e dois candidatos se apresentaram – até hoje um recorde. O pleito foi marcado por debates na TV e acusações de manipulação jornalística. Fernando Collor, filiado a um partido nanico, largou na frente ao se apresentar como “caçador de marajás”. No final, Collor derrotou o líder sindical Lula (PT) no 2° turno.
Foto: Radiobras/Roosewelt Pinheiro
1994: o início da era tucana
No início de 94, o pleito tinha um favorito: Lula. No entanto, alguns meses antes da eleição foi lançado o Plano Real, bem-sucedido em conter a inflação. A popularidade de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), um dos autores do plano, disparou. Lula, que havia criticado o real, afundou nas pesquisas. FHC acabou vencendo a eleição ainda no 1° turno. Era o início de oito anos de hegemonia do PSDB.
Foto: Acervo FHC
1998: a reeleição entra em cena
Em 1997, foi aprovada a emenda da reeleição– com denúncias de compra de votos –, abrindo caminho para FHC disputar mais um mandato. Mais uma vez seu adversário foi Lula, que indicou Leonel Brizola, seu antigo rival na esquerda, como vice. Durante a campanha, o governo omitiu que o real estava sobrevalorizado. FHC foi eleito no 1° turno. Depois da posse, o real sofreu uma desvalorização recorde.
Foto: Acervo FHC/Secretaria de Imprensa
2002: o início da hegemonia petista
Lula chegou à eleição com uma nova imagem: se comprometeu a apoiar o plano real, nomeou um empresário como vice e recorreu a marqueteiros. A estratégia para acalmar o mercado deu certo. Ciro Gomes chegou a despontar em segundo lugar, mas afundou após uma série de declarações que repercutiram mal. No final, Lula derrotou o candidato do governo FHC, José Serra, no segundo turno, com 61% dos votos.
Foto: Agência Brasil/M. Casal Jr.
2006: escândalos não impedem reeleição de Lula
Lula se candidatou novamente após a eclosão do escândalo do Mensalão. Parecia destinado a vencer no 1° turno, mas a prisão de assessores do PT na reta final abalou sua campanha. No 2° turno, os petistas contra-atacaram. Rotularam o tucano Geraldo Alckmin de privatista e de ser contra o Bolsa Família. Alckmin acabou recebendo menos votos no 2° turno do que na primeira rodada, e Lula foi reeleito.
Foto: Instituto Lula/R. Stuckert
2010: a primeira presidente mulher
Com alto índice de popularidade, Lula apresentou Dilma Rousseff como candidata à sucessão. Os tucanos voltaram a lançar José Serra, e a ex-ministra Marina Silva disputou pela primeira vez. A campanha de Serra tentou encurralar Dilma ao acusá-la de ser favorável ao aborto. No final, pesou a popularidade de Lula, e a petista ganhou no 2° turno, se tornando a primeira mulher a chegar à Presidência.
Foto: Agência Brasil/W. Dias
2014: a campanha mais cara e acirrada
Nova polarização entre PSDB e PT: Dilma disputou um novo mandato com Aécio Neves. Após a morte de Eduardo Campos (PSB), Marina Silva entrou na corrida, mas desabou nas pesquisas após ataques do PT. Dilma foi reeleita com apenas 3,28 pontos percentuais a mais que Aécio no 2° turno. A petista e o tucano gastaram R$ 570 milhões - com muitas doações de empresas acusadas de corrupção na Lava Jato.
Foto: Reuters/R. Moraes
2018: polarização entre PT e Bolsonaro
Após uma campanha que acirrou ânimos e dividiu o país, Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito com 55,13% dos votos, contra 44,87% de Fernando Haddad (PT). A vitória do ex-capitão defensor do regime militar marcou a volta da extrema direita brasileira ao poder e representou uma dura derrota para o ex-presidente Lula, que nesse pleito estava preso por corrupção e impedido de se candidatar.
Foto: Reuters/P. Whitaker/N. Doce
2022: tensão numa inédita disputa entre presidente e ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) disputou a reeleição com o ex-presidente Lula (PT), numa eleição acirrada e marcada por violência política. Nas urnas, Lula venceu no 2º turno por 1,8 ponto de diferença – menor vantagem desde a redemocratização. Derrotado, Bolsonaro se recusou a passar a faixa e foi acusado de articular uma tentativa de golpe para impedir a volta de Lula ao poder.