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UE adia novas sanções contra Rússia

Bernd Riegert, de Bruxelas (md)9 de fevereiro de 2015

Para não prejudicar encontro sobre crise na Ucrânia em Minsk, ministros do Exterior reunidos em Bruxelas preferem esperar para impor novas retaliações a Moscou. Possível envio de armas a Kiev divide bloco.

Foto: picture-alliance/dpa/Olivier Hoslet

Os ministros do Exterior da União Europeia aguardam ansiosos pela quarta-feira, quando os presidentes da Rússia e da Ucrânia vão se reunir em Minsk com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, para uma cúpula sobre a Ucrânia. Até lá, os ministros preferem optar pela cautela, para não comprometer um possível sucesso do encontro.

A lista de possíveis novas sanções contra a Rússia está sobre a mesa, mas só deve ser discutida na quinta-feira, quando se reunirão em Bruxelas os chefes de Estado e de governo da UE. A decisão formal de colocar mais pessoas na lista de afetados pelas sanções foi tomada, como planejado, pelos ministros do Exterior, mas não será ainda implementada, como informou nesta segunda-feira (09/02) o chanceler francês, Laurent Fabius.

A UE acusa Moscou de apoiar os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia com armas e soldados. No ano passado, a UE impôs sanções econômicas e proibiu atividades financeiras de diversas pessoas e empresas do bloco.

O ministro do Exterior da Espanha, José Manuel Garcia-Margallo, reclamou que no ano passado a UE perdeu cerca de 21 bilhões de euros em negócios com a Rússia. A Espanha sofre especialmente com o embargo russo às importações de produtos agrícolas e com a falta de turistas russos. Por isso, o apetite de Madri é limitado para ampliar as sanções contra a Rússia. Outros países da UE, como Itália e Áustria, são céticos quanto a novas sanções.

O ministro do Exterior britânico, Philip Hammond, por outro lado, disse que não se deve reduzir agora a pressão sobre a Rússia. O Reino Unido sempre defendeu sanções mais duras, ao lado dos EUA. Já Linas Linkevicius, chanceler da Lituânia, disse na reunião em Bruxelas que sanções devem ser preparadas e também impostas em curto prazo.

"O trabalho deve continuar. A Comissão Europeia está preparando, e quando chegar o momento, as sanções serão ampliadas. As decisões devem ser tomadas no momento certo, não tarde demais. Às vezes, elas vieram muito tarde", reclamou Linkevicius.

Sem unanimidade sobre armas

Não só a questão das sanções, mas também a questão dos possíveis envios de armas para o Exército ucraniano revela uma disputa crescente dentro da União Europeia. A maioria dos ministros do Exterior da UE rejeita o envio de armas de seu próprio país.

Ministro do Exterior lituano Linas Linkevicius é a favor de envio de armas à UcrâniaFoto: DW/M. Griebeler

"Mas se os EUA decidirem por ele, nós aplaudiríamos", afirmou Linkevicius. "É uma decisão dos EUA, independente do nosso apoio. Mas seria um passo lógico", acrescentou.

As outras duas repúblicas bálticas, Estônia e da Letônia, além da Polônia, também não têm nada contra o envio de armas para o Exército ucraniano. Mas isso é algo que cada Estado deve decidir sozinho, segundo diplomatas da UE em Bruxelas.

A UE, como organização, assim como a Otan, não tem nem os meios nem a capacidade de enviar armas. Linkevicius aponta que a Rússia fornece armas aos rebeldes pró-russos no leste da Ucrânia. Isto é algo que foi confirmado pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

"O outro lado não está pensando, mas já decidiu. Ele fornece armas pesadas e de alta sofisticação. Isso ocorre, mesmo que seja cínico, enquanto ainda estão ocorrendo negociações. Deveríamos realmente ajudar a Ucrânia, não só financeiramente, como economicamente e politicamente, mas também militarmente. Não enviaremos soldados. Isso não é discutido, mas, pelo menos, devemos enviar armas para defesa", reivindicou o ministro do Exterior da Lituânia.

Essa posição é rejeitada pelo governo alemão. Durante a Conferência de Segurança de Munique, no fim de semana, a chanceler Angela Merkel, o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier e a ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen, rejeitaram o envio de armas para a zona de conflito.

Ministro do Exterior austríaco, Sebastian Kurz, é contra envio de armamentosFoto: AFP/Getty Images/S. Kubani

"Envio de armas não é uma opção. Mais armas na região contribuiriam para uma piora da situação", afirmou o ministro do Exterior da Áustria, Sebastian Kurz, resumindo, desta forma, a posição da maioria dos colegas presentes em Bruxelas.

O presidente dos EUA, Barack Obama, por outro lado, deve decidir em breve sobre o assunto. Republicanos conservadores em Washington argumentam com veemência para a necessidade de se equipar o Exército ucraniano com armas de defesa, como mísseis antitanque ou drones de reconhecimento.

"Não se pode confiar na Rússia"

A maioria dos ministros do Exterior da UE tem esperança que pelo menos uma trégua para o leste da Ucrânia possa ser acordada em Minsk na quarta-feira. "Mas nada é seguro no momento", ressalta o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier. Ele diz sequer ter certeza de que a reunião dos três presidentes e da chanceler alemã ocorrerá.

Mesmo que se obtenha um novo acordo, o ministro do Exterior lituano, Linas Linkevicius continua desconfiado. "Esperamos uma solução diplomática. Ninguém quer guerra. Mas só podemos julgar com base nos acontecimentos no local. No momento, não podemos confiar nas palavras da liderança russa. Elas não valem nada, até que haja evidências no local".

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