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UE aproxima-se dos EUA na questão do Iraque

(pc)12 de março de 2002

Os principais países da União Européia estão levando cada vez mais a sério as ameaças dos Estados Unidos contra o Iraque.

Vice-presidente americano Dick Cheney (à direita), com o primeiro-ministro britânico, Tony BlairFoto: AP

Os europeus estão praticamente convencidos de que os Estados Unidos preparam uma intervenção militar contra o Iraque, caso esse país não aceite a volta dos inspetores da ONU, conforme exige o Conselho de Segurança.

Um alto diplomata da UE estima que a crise estourará em maio e as ações militares começarão em setembro, a menos que Saddam Hussein consiga prorrogar as coisas, autorizando a entrada de inspetores de armamentos.

A mudança de posição dos europeus ficou patente na segunda-feira, na reunião dos ministros do Exterior da UE. A proposta do ministro belga, Louis Michel, de enviar a Bagdá uma delegação da UE, não obteve o menor apoio. Um dos ministros deixou claro que não há nada o que negociar com o Iraque e que Bagdá precisa se curvar às resoluções do Conselho de Segurança da ONU

França

– A França, principalmente, mudou sua postura em relação ao Iraque. Na década de 80, Paris forneceu armas aos iraquianos na guerra contra o Irã e, a partir de 1998, deixou de participar dos ataques aéreos contra o Iraque, efetuados por britânicos e americanos.

Segundo círculos diplomáticos, a queda de Saddam é desejada por todos os países europeus e, também, por vários países árabes. O ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer, declarou perante o Parlamento federal, em fevereiro, que o regime de Saddam Hussein produz armas de destruição em massa, que são utilizadas contra o próprio povo. Para evitar a escalada da violência é preciso que Saddam aceite as resoluções da ONU, disse Fischer.

Cheney

– Dando início à sua viagem pelo Oriente Médio, o vice-presidente americano Dick Cheney reuniu-se na segunda-feira (11) com os líderes britânicos, em Londres. A Grã-Bretanha e os Estados Unidos garantem militarmente o cumprimento das duas zonas de exclusão aérea, no norte e sul do Iraque, que foram criadas após a Guerra do Golfo.

Cheney tratará de buscar junto aos países árabes o apoio à política antiterrorista do presidente George W. Bush. Ele visitará doze países, inclusive a Jordânia, Arábia Saudita, Turquia e Kuweit.

Os Estados Unidos estão convencidos de que o Iraque desenvolveu armas de destruição em massa e incluíram o país no "Eixo do Mal", junto ao Irã e Coréia do Norte. Saddam afirma que as ameaças americanas não fazem sentido, mas ao mesmo tempo despachou seu enviado especial, Issat Ibrahim, à Jordânia e à Síria, a fim de assegurar o apoio árabe.

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