Um mês por trás das lentes
12 de novembro de 2004
Desde que foi criado em 1980 na capital francesa, o Mois de la Photo se repete com sucesso a cada dois anos, sempre no mês de novembro. Neste ano, entretanto, o evento ganhou um novo formato com a inclusão de Berlim e Viena, alcançando aos poucos dimensões continentais. Para 2006, Roma, Madri, Moscou e Bratislava já manifestaram interesse em participar do programa.
Segundo o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, "uma mostra como essa reflete os valores comuns europeus, que representam a Europa como um espaço da civilização e uma comunidade únicos. Além da conexão entre instituições culturais, a fotografia contribui para o intercâmbio de idéias, obras e artistas. E esse intercâmbio é tarefa central da Europa da cultura e da fraternidade".
Paralelamente às exposições, uma série de palestras, workshops e retrospectivas de cinema completam o programa. Além do mais, cada uma das cidades participantes contribui para o programa das outras. Berlim enviou Berlinskaja Lazur – fotografia jovem berlinense a Paris, e uma seleção de obras do fotógrafo berlinense Willy Römer a Viena. E recebeu em troca as exposições Fotos de vienenses e Paris+Klein, um ciclo parisiense do fotógrafo americano William Klein.
Nas ruas de Berlim
O grande destaque da programação é a exposição Nas ruas de Berlim. O fotógrafo Willy Römer. 1887–1979. As fotos de Römer, capturadas entre os anos de 1905 e 1935, ilustram a turbulenta história berlinense durante os anos da Primeira Guerra Mundial e da República de Weimar, com todas suas facetas de cidade grande.
Segundo o jornal alemão Tageszeitung, as lentes de Römer possuíam "um interesse quase etnográfico pelas condições de vida, trabalho e moradia das pessoas a seu redor". Especialmente a modernização da capital após os anos de crise econômica e inflação não passaram despercebidos, com novos meios de transporte e comunicação dividindo o espaço com os artesãos e as crianças que brincavam e trabalhavam descalças pelas ruas.
Quando os nazistas o obrigaram a fechar sua agência – seu parceiro Walter Bernstein era judeu – Römer, ao mesmo tempo repórter fotográfico e flâneur, praticamente encerrou sua atividade fotográfica e passou somente a administrar seu arquivo – um dos poucos que sobreviveram intactos à guerra –, até falecer em 1979. A retrospectiva relembra, portanto, os 25 anos desde sua morte.
Viena recebe Cartier-Bresson
Em Viena, o destaque fica por conta de uma exposição de obras do fotógrafo francês Henry Cartier-Bresson (1908–2004), intitulada A essência de Paris, de cuja organização o próprio Cartier-Bresson participou em cooperação com o Museu Europeu da Fotografia em Paris.