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Estado Palestino

3 de setembro de 2011

Governos europeus buscavam definir em Sopot uma posição comum sobre provável pedido de reconhecimento do Estado Palestino pela ONU, no fim de setembro. Porém profundas diferenças no bloco mantêm decisão em aberto.

Ministros da UE vão esperar palestinos apresentarem propostaFoto: picture-alliance/dpa

Os ministros do Exterior dos Estados-membros da União Europeia (UE) reuniram-se neste final de semana (02-03/09) na cidade polonesa de Sopot para decidir em conjunto como reagir à possível reivindicação palestina de adesão às Nações Unidas. Depois de dois dias de debate, o resultado foi o impasse.

Devido à interrupção nas negociações de paz com Israel, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, anunciou que reivindicará, no dia 21 de setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, a adesão do Estado Palestino ao grêmio internacional.

Os países da UE estão profundamente divididos sobre o tema. A França já deixou claro que poderá votar a favor da reivindicação palestina, se Israel se recusar a retomar as negociações de paz. A Alemanha, por outro lado, rejeita o pedido de adesão unilateral. "Queremos que o processo de paz no Oriente Médio se dê pela negociação direta, para que possamos evitar uma escalada da violência na região", disse o ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle.

Além do mais, a Alemanha deve levar em conta sua relação histórica com Israel na hora de votar. "Nós, alemães, conhecemos nossa responsabilidade especial para com o Estado de Israel – e certamente traremos essa questão para a discussão", disse Westerwelle em Sopot.

A Holanda também já se manifestou contra a reivindicação palestina. "A posição holandesa é bastante clara. Somos totalmente contra qualquer passo unilateral, seja qual for, e acreditamos que qualquer atitude deve ser tomada baseada no acordo entre todas as partes envolvidas", declarou o ministro holandês das Relações Exteriores, Uri Rosenthal.

Em cima do muro

Segundo fontes diplomáticas, os ministros do Exterior da UE não devem concordar com a plena adesão do Estado Palestino junto à ONU. "Quanto mais tarde a Europa assumir uma posição conjunta, melhor", disse o ministro do Exterior da Áustria, Michael Spindelegger.

Seu colega de pasta finlandês, Erkki Tuomioja, preferiu manter o sigilo: "Discutimos diferentes alternativas, temos nossa própria política. Mas não vamos dizer nada até sabermos que posição a Europa como um todo vai tomar".

Os países-membros só devem tomar uma posição quando o requerimento da Autoridade Palestina for apresentado, explicou o ministro do Exterior da Polônia, Radoslaw Sikorski, anfitrião do encontro em Sopot. "Até lá, concordamos em não fazer especulações", explicou.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse que os países-membros ainda têm tempo para decidir como agir na assembleia de 21 de setembro, e que nesse meio tempo devem continuar os esforços de mediação entre israelenses e palestinos.

"Acabo de voltar de discussões com as lideranças da autoridade palestina e com o primeiro-ministro de Israel sobre como podemos avançar com as negociações. Meu objetivo é a retomada das negociações, para que possamos realmente chegar a um acordo", disse Ashton.

Mudança de status

De qualquer forma, a reivindicação tem poucas chances de sucesso, pois os Estados Unidos já anunciaram que irão vetar o pedido no Conselho de Segurança da ONU. O veto impediria a votação na Assembleia Geral, mas pode ser que, em vez disso, os palestinos requeiram a elevação de seu status dentro do grêmio, o que levaria a o tema a discussão.

O ministro do Exterior de Luxemburgo, Jean Asselborn, propôs que o Estado Palestino receba um status de observador junto às Nações Unidas. "Assim os palestinos teriam diferentes possibilidades de se integrar melhor nos órgãos da ONU", disse Asselborn.

O status seria o mesmo que o Vaticano tem atualmente e que a Suíça, atualmente membro, tinha até 2002. Como observadores, os palestinos não seriam membros plenos da ONU, mas poderiam fazer parte, por exemplo, da Organização Mundial da Saúde (OMS). "A meu ver, não podemos simplesmente dizer não e deixar os palestinos sem nada", advertiu Asselborn.

FF/dpa/afp/rtr
Revisão: Augusto Valente

Asselborn: "Não podemos deixar os palestinos sem nada"Foto: AP
Westerwelle: Alemanha leva em conta sua história com IsraelFoto: picture-alliance/dpa
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