Milhares de fiéis se reúnem na Praça São Pedro para saudar o sumo pontífice pela última vez. Corpo de Francisco será velado até sexta-feira.
Guarda Suíça do Vaticano monta guarda ao lado do caixão do papa Francisco na Basílica de São PedroFoto: Yara Nardi/REUTERS
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O corpo do papa Francisco, que morreu na segunda-feira (21/04) aos 88 anos, já se encontra na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Ele foi transportado nesta quarta-feira pela manhã dentro de um caixão aberto que partiu da Casa de Santa Marta, onde Francisco residiu durante os 12 anos de seu papado, e escoltado por uma guarda de honra de oito guardas suíços.
Ao toque fúnebre do maior sino da Basílica de São Pedro, a procissão também teve a participação de vários cardeais. Enquanto isso, na Praça de São Pedro, milhares de fiéis aguardavam desde às 7h30 (hora local) para saudar o papa pela última vez. Quando o caixão chegou na praça, houve uma salva de aplausos entre os milhares de presentes.
Caixão com o corpo do papa Francisco é transportado para a Basílica de São PedroFoto: Carlos Barria/REUTERS
Os portões da Basílica de São Pedro foram abertos ao público às 11h (horário local). A expectativa é a de que dezenas de milhares venham prestar suas últimas homenagens a Francisco durante os três dias de velório.
Após o velório do sumo pontífice, haverá uma cerimônia no sábado que deve reunir diversos chefes de Estado do mundo todo, seguido pelo enterro. Na lista de convidados com presença confirmada estão o presidente dos EUA, Donald Trump, o ucraniano Volodimir Zelenski , o presidente Lula e o príncipe britânico William.
Também em contraste com a tradição - e diferente do enterro do papa emérito Bento 16, em janeiro de 2023 -, seu corpo não será exibido em um catafalco, ou seja, um esquife alto. Seguindo suas orientações manifestadas ainda em vida, Francisco jaz em um simples caixão de madeira, e sem a férula papal (bastão em forma de crucifixo), símbolo de poder. Ele se tornará o primeiro papa em mais de 100 anos a ser sepultado fora do Vaticano.
Velório de Francisco irá durar três diasFoto: Andrew Medichini/Pool via REUTERS
Devido ao funeral, a Itália se prepara para uma grande operação de segurança. Segundo o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, as autoridades esperam entre 150 e 170 delegações estrangeiras e dezenas de milhares de pessoas. Para controlar a multidão, foram instaladas barreiras dentro e fora da basílica, e os controles de segurança foram reforçados.
Nascido em Buenos Aires, a 17 de dezembro de 1936, Francisco foi o primeiro jesuíta e primeiro católico das Américas a chegar à liderança da Igreja Católica. Sua última aparição pública foi no domingo de Páscoa, no Vaticano, um dia antes da morte. Antes disso, Francisco esteve internado durante 38 dias devido a uma pneumonia bilateral, tendo tido alta em 23 de março.
ip (dpa/afp/Lusa)
Vida e obra do papa Francisco em imagens
Pontífice faleceu após 12 anos na liderança da Igreja Católica. Durante esse período, ele pediu paz, inclusão, preservação do meio ambiente e justiça econômica.
Foto: Riccardo De Luca/Anadolu/picture alliance
Líder da "Igreja dos pobres"
Após a surpreendente renúncia do papa Bento 16, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito o 266º papa em março de 2013. Ele foi o primeiro pontífice a adotar o nome Francisco, em homenagem ao santo católico Francisco de Assis, que era venerado por sua vida de pobreza, humildade e cuidado com os seres vivos. Ao fazer isso, o papa Francisco pediu uma "igreja para os pobres".
Foto: Natacha Pisarenko/AP Photo/picture alliance
Imigrantes no centro
O papa Francisco usou seu papado para chamar a atenção para o sofrimento dos imigrantes. Em meio à crise de imigração à Europa, em 2016, Francisco visitou refugiados no centro de detenção Moria, extremamente superlotado, na ilha grega de Lesbos. Lá, ele conclamou o mundo a "responder de uma forma digna de nossa humanidade" e levou 12 refugiados muçulmanos para Roma em seu avião papal.
Foto: Andreas Solaro/AFP/Getty Images
Defensor do meio ambiente
Em sua encíclica papal de 2015, "Laudato Si" ("Louvado Seja"), o papa Francisco criticou o sistema capitalista, argumentando que o modelo econômico explora os pobres e destrói o meio ambiente. Durante todo o seu papado, defendeu a preservação ambiental e chamou a atenção para a crise climática. Ele levou essa mensagem a todos os lugares de sua Igreja, como no Sínodo da Amazônia, em 2019.
Em 2021, Francisco desafiou preocupações de segurança quando se tornou o primeiro pontífice a visitar o Iraque. Lá, cercado pelas ruínas de igrejas destruídas, ele orou pelas vítimas da guerra em Mossul, que já foi a capital do chamado "Estado Islâmico". A visita de Francisco foi parte de seu esforço mais amplo para preencher as lacunas entre a fé cristã e as religiões não cristãs.
Foto: Andrew Medichini/AP/picture alliance
Pedido de desculpas pela política missionária no Canadá
Em 2022, o papa Francisco se reuniu com delegações dos povos das Primeiras Nações Inuit e Metis do Canadá para pedir desculpas pelo papel da Igreja no abuso sistemático, na violência e no apagamento cultural cometidos por missionários no país. Ele não estendeu a "peregrinação de penitência" aos EUA, onde internatos protestantes também forçaram a educação cristã a crianças indígenas.
Foto: Nathan Denette/The Canadian Press/AP/dpa/picture alliance
Figura religiosa e "rock star"
Francisco nomeou uma série de cardeais para realizar suas ambiciosas reformas e chegou a ser capa da revista de rock "Rolling Stone" por liderar uma "revolução suave". No entanto, as reformas ficaram aquém do esperado, por exemplo, abrir caminho para o sacerdócio feminino.
Foto: picture alliance/dpa/ROLLING STONE
Construção de pontes
A fama de Francisco atraiu multidões, como na Indonésia, quando visitou a maior nação muçulmana do mundo, em 2024. Apesar dos esforços para construir pontes e uma Igreja mais inclusiva, o papa foi apenas parcialmente bem-sucedido em iluminar a comunidade LGBTQ+. Francisco autorizou a benção a casais do mesmo sexo, mas não permitiu o rito matrimonial.
Foto: Indonesia Papal Visit Committee
A solidão na pandemia
Em 2020, o papa Francisco celebrou a bênção "Urbi et Orbi" ("À Cidade e ao mundo") na Praça de São Pedro, deserta devido ao confinamento imposto pela pandemia da covid-19. A imagem do pontífice rezando solitário se tornou símbolo de como a crise sanitária impactou o planeta e marcou seu papado. Na ocasião, ele concedeu o perdão dos pecados aos fiéis católicos que vivem sob "um mundo enfermo".
Foto: Reuters/G. Mangiapane
Benção final
Aos 88 anos de idade, o papa Francisco faleceu em 21 de abril de 2025 em decorrência de um AVC e insuficiência cardíaca. Apenas um dia antes de sua morte, ele deu a tradicional bênção Urbi et Orbi ("À cidade e ao mundo") ao final da missa de Páscoa de domingo e andou de papamóvel em meio à multidão. Francisco acabou sendo sucedido pelo papa Leão 14, que também veio das Américas