Veto a redes para menores quase não gera efeito na Austrália
31 de julho de 2026
Apesar da proibição governamental do uso de redes sociais por menores de 16 anos na Austrália, mais de 80% dos adolescentes continuam usando as plataformas, segundo o órgão regulatório do país.
Nos três primeiros meses após a entrada em vigor da medida, a maioria das crianças e adolescentes entre 10 e 15 anos conseguiu acessar sites ou aplicativos do tipo e permaneceu neles quase com a mesma frequência de antes. As descobertas fazem parte de um relatório para analisar a eficácia das regras australianas, produzido com base em entrevistas com mais de 4 mil crianças e famílias ao longo de dois anos.
Antes das restrições entrarem em vigor, em dezembro passado, 86% dos entrevistados afirmavam usar pelo menos uma plataforma sujeita a restrição etária. Este percentual era de 81% em março, já com as novas regras em vigor.
"A maioria dos menores de 16 anos que já possuíam contas em redes sociais antes da entrada em vigor da medida conseguiu mantê-las ou criar novas contas nos três meses seguintes", declarou o órgão. A principal razão teria sido a falha das plataformas em implementar mecanismos eficazes de verificação de idade.
A lei australiana tornou as plataformas — incluindo TikTok, Facebook, Snapchat, Reddit, X e Instagram — passíveis de multas de até 50 milhões de dólares australianos (R$ 177 milhões) caso não impeçam que crianças menores de 16 anos criem contas.
Outros especialistas concordam que a proibição imposta pelo governo tem impacto limitado. Em pesquisa realizada em maio por três universidades australianas com mais de mil menores de idade a partir de 10 anos, 61% dos entrevistados afirmaram que a medida não os afetava e que eles conseguiam contornar sem dificuldades os sistemas de verificação etária das plataformas.
Discussão ao redor do mundo
A exigência de idade mínima para o acesso às redes sociais já está em vigor em vários países, como Indonésia e Malásia, ou deve entrar em vigor em breve, a exemplo da Turquia, dos Emirados Árabes Unidos e do Reino Unido.
A França se tornou na semana retrasada o primeiro país da União Europeia (UE) a aplicar uma proibição do uso de redes sociais por menores de 15 anos. A previsão é que a regra valha a partir de setembro.
De acordo com a agência de saúde francesa, um em cada dois adolescentes passa entre duas e cinco horas por dia em um smartphone. Um relatório publicado em dezembro destacou uma série de efeitos nocivos decorrentes do uso de redes sociais, incluindo redução da autoestima e maior exposição a conteúdo associado a comportamentos de risco, como automutilação, uso de drogas e suicídio.
A Comissão Europeia pretende apresentar em breve uma proposta legislativa que prevê a proibição do acesso de crianças menores de 13 anos às redes sociais. Além disso, determinados sites só poderão ser acessados a partir de idades mais elevadas. Na Alemanha, um projeto de lei sobre o tema ainda é aguardado para 2026.
ht/le (ots)
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