Washington diz que EUA e Irã pararam ataques e vão negociar
29 de junho de 2026
Negociações devem ocorrer no Catar e focar no Estreito de Ormuz, noticia imprensa americana. Irã insiste em manter controle sobre a via marítima, o que originou a troca mútua de ataques.
Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas da costa de OmãFoto: Wen Xinnian/Xinhua/IMAGO
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Os EUA e o Irã deverão voltar a se reunir nesta terça-feira (30/06) para negociações de paz, segundo relatos da imprensa americana, embora a posição do Irã sobre o assunto ainda não esteja clara.
As conversações estavam inicialmente previstas para ocorrer na Suíça e se concentrar no programa nuclear do Irã, mas, de acordo com o site de notícias Axios, foram transferidas para Doha, no Catar, para focar no Estreito de Ormuz após uma recente escalada no conflito.
Na noite deste domingo, um representante do governo dos EUA afirmou que ambos os lados concordaram em suspender os ataques e continuar as negociações em nível técnico, após um fim de semana de ataques de retaliação mútua ameaçarem o acordo de paz preliminar, assinado em 17 de junho.
O mesmo representante afirmou que as embarcações poderão se mover livremente no Estreito de Ormuz e em suas proximidades.
Antes, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmara, numa publicação na sua rede social, a Truth Social, que "a República Islâmica do Irã deixará de existir" se for atingido um ponto em que ele decida que os EUA não serão mais "razoáveis", o que evidencia a fragilidade do acordo de paz.
Já o ministro do Exterior do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que Teerã tem o controle absoluto sobre o Estreito de Ormuz nos próximos 30 dias de negociações e exigiu dos EUA que pressionem Israel a se retirar do Líbano.
O que ocorreu no fim de semana
Esforços para reabrir o Estreito de Ormuz sem a supervisão do Irã desencadearam as agressões mútuas. A via é um canal marítimo que separa o Irã de Omã, com apenas cerca de 30 quilômetros de largura. O estreito compreende águas territoriais de Omã e do Irã, mas, segundo o direito internacional marítimo, ambos não podem bloquear a passagem ou cobrar pedágios.
O Irã cogita cobrar "taxas de serviço", inexistentes antes da guerra, enquanto os Estados Unidos se opõem a qualquer cobrança, argumentando, com base no direito internacional marítimo, que Ormuz é uma via navegável internacional. Nesta segunda-feira, o Ministério do Exterior iraniano voltou a afirmou que realizou a primeira reunião com Omã para discutir a gestão de Ormuz.
Omã demonstrou uma postura ambígua em relação à questão. Na terça-feira passada, após uma visita de autoridades iranianas a Mascate, Omã e Irã anunciaram, em comunicado conjunto, que estavam analisando os custos associados à futura gestão da navegação no estreito.
No entanto, mais tarde naquela semana, Omã indicou que não havia planos para "taxas de passagem" e anunciou a abertura de um "corredor marítimo temporário" próximo à sua costa, afirmando que a medida foi coordenada com a ONU.
Dezenas de embarcações passaram por essa via que margeia a costa de Omã, e o Irã reagiu declarando que a única passagem autorizada era um corredor que margeava sua própria costa.
O negociador-chefe do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que a situação no Estreito de Ormuz não regressará ao que era antes do conflito com Israel e EUA e garantiu que Teerã irá gerir a via navegável. "Todos devem saber que a administração do Estreito de Ormuz nunca mais voltará a ser como era antes da guerra", declarou, citado pela agência de notícias estatal iraniana Irna.
O ministro iraniano do Exterior alertou no domingo que qualquer tentativa de utilizar rotas alternativas poderia "intensificar as tensões" na região.
Escalada nas hostilidades
O que se seguiu nos últimos dias na região foi uma escalada nas hostilidades. Na sexta-feira, os Estados Unidos acusaram o Irã de atacar um navio de carga no Estreito de Ormuz. Em resposta, o Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou ataques contra o Irã.
No domingo, o Comando Central dos EUA comunicou ter atingido dez alvos militares iranianos devido à "agressão iraniana contínua contra o transporte comercial".
O Ministério do Exterior do Irã acusou os Estados Unidos de uma "violação flagrante" do acordo de paz entre os dois países, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado instalações militares americanas em retaliação aos ataques de sexta-feira. Em seguida, o Teerã lançou ataques com drones e mísseis contra o Bahrein e o Kuwait em resposta aos bombardeios aéreos dos EUA.
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Conflito no Líbano também ameaça acordo
Na sexta-feira, Israel e o Líbano assinaram as bases para um acordo em Washington, após vários dias de negociações. A medida foi saudada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
No domingo, a mídia estatal libanesa informou que Israel realizou um ataque aéreo visando o sul do Líbano. Os militares israelenses afirmaram ter destruído um amplo túnel na região.
Já o grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã e que combate Israel, rejeitou o acordo, classificando-o como "nulo e sem efeito".
as/cn (AFP, AP, Reuters, DPA, Efe)
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Veja alguns dos principais acontecimentos do mês.
Foto: Caean Couto/IMAGN Images/REUTERS
Calor derrete asfalto, travando linhas de bonde na Alemanha
A onda de calor extremo que castiga partes da Europa provocou uma cena surreal na cidade de Leipzig, na Alemanha: o derretimento do revestimento no entorno dos trilhos do bonde, levando à suspensão tamporária desse transporte. As altas temperaturas fizeram com que, em muitos pontos da rede, o material de vedação de asfalto e concreto escorresse para os desvios e trilhos, onde se acumulou. (28/06)
Foto: Heiko Rebsch/dpa/picture alliance
Alemanha tem 2° recorde seguido de temperatura
A Alemanha quebrou seu recorde histórico de calor pelo segundo dia consecutivo, com uma medição preliminar de 41,5 graus Celsius, informou o Serviço Meteorológico Alemão (DWD). O novo recorde foi registrado na cidade de Möckern-Drewitz, no leste do país.
Foto: Axel Schmidt/REUTERS
Alemanha tem temperatura recorde de 41,3 °C
A Alemanha observou nesta sexta-feira a temperatura mais alta já registrada no país: 41,3 °C. O dado preliminar é do Serviço Meteorológico Alemão (DWD) e foi registrado na cidade de Saarbrücken, no oeste do país. Se a leitura for confirmada após verificações de controle de qualidade, ela superará o recorde anterior de 41,2 °C, estabelecido em julho de 2019. (26/06)
Foto: Ebrahim Noroozi/AP Photo/picture alliance
Terremoto deixa rastro de morte e destruição na Venezuela
Dois terremotos de magnitude 7,5 e 7,2 na escala Richter atingiram a Venezuela, deixando um saldo crescente de mortos e feridos que só aumentava com o passar das horas. A presidente interina do país, Delcy Rodríguez, declarou estado de emergência. A tragédia pôs equipes de resgate numa corrida contra o tempo para salvar vítimas sob os escombros dos prédios que desabaram. (25/06)
Foto: Pedro Mattey/AP Photo/picture alliance
França registra primeiro caso de ebola no país
Infectado é um médico que retornou recentemente de uma missão humanitária na República Democrática do Congo (RDC), região onde o vírus está em circulação ativa. Homem está internado em centro hospitalar especializado, e seu estado de saúde é estável. (24/06)
Foto: Marcus Loika/Anadolu Agency/IMAGO
Europa bate temperaturas recorde em onda de calor extremo
Uma onda de calor extremo atingiu grande parte da Europa Ocidental nos primeiros dias de verão. Reino Unido, França, Itália e Espanha emitiram alertas vermelhos, pedindo que a população projeta a própria saúde. As temperaturas bateram recordes em diferentes pontos do continente. Escolas e ferrovias foram fechadas, diante do risco de os termômetros marcarem até 40°C. (23/06)
Foto: Abdul Saboor/REUTERS
Ultradireita vence eleições presidenciais na Colômbia
A apuração preliminar na Colômbia indicou a eleição do ultradireitista Abelardo de la Espriella para presidente. Sem experiência política, o empresário de 47 anos celebrou uma "nova era" após derrotar o senador governista Iván Cepeda, aliado de Gustavo Petro. A vitória deverá afastar o país do Brasil e aproximá-lo dos EUA e da direita regional. (22/06)
Foto: Charlie Cordero/REUTERS
Milhares celebram o solstício de verão em Stonehenge
Uma multidão de mais de 20 mil pessoas se reuniu no milenar sítio arqueológico de Stonehenge, no Reino Unido, para ver o nascer do sol às 4h25 no dia mais longo do ano no Hemisfério Norte, segundo a organização pública English Heritage, que administra monumentos históricos na Inglaterra. (21/06)
Foto: Ben Birchall/PA Images/picture alliance
Irã volta a fechar estreito de Ormuz
As Forças Armadas do Irã anunciaram um novo fechamento do Estreito de Ormuz ao trânsito marítimo em resposta aos ataques israelenses no sul do Líbano e acusaram os Estados Unidos de descumprirem o memorando de entendimento que pôs fim à guerra, segundo a mídia iraniana. (20/06)
Foto: AFP
Calor extremo na Europa às vésperas do verão
A Europa enfrenta sua primeira onda de calor de 2026, com temperaturas máximas em torno de 40°C em capitais como Madri e Paris, e próximas de 35 °C em Berlim, Roma, Lisboa e Londres. Na França e na Alemanha, a onda de calor já levou à suspensão de trens e aulas, (19/02)
Foto: Thibaud Moritz/AFP/Getty Images
Moscou em chamas após onda de ataques ucranianos
A Ucrânia atingiu uma grande refinaria de petróleo em Moscou pela segunda vez em uma semana, lançando enormes nuvens de fumaça negra sobre a capital e interrompendo voos em seus aeroportos, em um dos maiores ataques com drones desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, há mais de quatro anos, segundo autoridades. (18/06)
Foto: REUTERS
G7 expressa unidade no apoio à Ucrânia
No comunicado de encerramento da cúpula do G7 na França, os líderes do grupo afirmaram que permanecem unidos para apoiar a Ucrânia, incluindo em sua integridade territorial, e concordaram em aumentar as sanções contra a Rússia. A unidade expressada no texto conjunto foi considerada relevante em um momento tenso entre os EUA do presidente Trump e seus aliados ocidentais. (17/06)
Foto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance
"Estamos no mesmo time"
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, aproveitou a reunião do G7 para presentear o presidente dos EUA, Donald Trump, com uma camiseta personalizada da seleção alemã de futebol com o número 47 – o republicano, que completou 80 anos no último domingo, é o 47º presidente americano. "Afinal, estamos no mesmo time", comentou o alemão mais tarde, em uma postagem no X. (16/06)
Foto: Thibault Camus/AP Photo/picture alliance
Filho da princesa da Noruega é condenado a 4 anos de prisão por estupro
Filho mais velho da princesa herdeira da Noruega, Marius Borg Hoiby, de 29 anos, foi considerado culpado em duas das quatro acusações de estupro que pesavam contra ele. Preso desde fevereiro, ele também foi condenado por agressão e abuso em relacionamentos íntimos, e terá de pagar uma indenização às vítimas. (15/06)
Foto: Håkon Mosvold Larsen/NTB/AFP
Protesto contra G7 tem confronto com a polícia em Genebra
Manifestantes entraram em confronto com a polícia, incendiaram um carro da Tesla e danificaram um banco e uma agência da ONU. O protesto se dirigia contra as sete maiores economias do mundo, o G7, que se encontrariam a partir do dia seguinte na vizinha França para a sua cúpula anual. Autoridades suíças e francesas mobilizaram milhares de policiais para garantir a segurança do encontro. (14/06)
Foto: Denis Balibouse/REUTERS
Operação de EUA e Venezuela mata líder de gangue
O chefe da organização criminosa Tren de Aragua, conhecido como Niño Guerrero, foi morto em uma operação militar dos Estados Unidos realizada em coordenação com as autoridades da Venezuela. A ex-vice-presidente Delcy Rodríguez governa o país sul-americano sob pressão da Casa Branca desde janeiro, quando os EUA capturaram Nicolás Maduro, sob acusação de narcotráfico. (13/06)
Foto: Donald Trump via Truth Social/REUTERS
Elon Musk se torna o primeiro trilionário da história
O bilionário Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história com a entrada da sua empresa SpaceX no mercado de ações. Segundo a Oxfam, ele seria mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial juntos, ou 3,8 bilhões de pessoas. Foi a maior oferta pública inicial (IPO) já registrada, superando o recorde da petrolífera saudita Aramco. (12/06)
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Começa a Copa do Mundo de 2026
A Copa do Mundo da Fifa começou com uma partida entre México e África do Sul na Cidade do México. A seleção mexicana marcou o primeiro gol do campeonato, depois da cerimônia de abertura. Do lado de fora, houve confronto entre policiais e manifestantes, que pediam justiça para desaparecidos. O megaevento esportivo acontece, neste ano, em três países: México, Estados Unidos e Canadá. (11/06)
Foto: Eloisa Sanchez/REUTERS
UE alerta para "extremos climáticos como novo normal"
O mundo registrou o segundo maio mais quente da história, informou o serviço climático da União Europeia (UE), o Copernicus. A onda de calor precoce só não superou as temperaturas de 2024. Neste ano, recordes foram registrados em vários países da Europa Ocidental. Isso demonstra "como extremos climáticos estão rapidamente se tornando o novo normal, em vez da exceção", segundo o Copernicus. (10/06)
Foto: Jerome Gilles/NurPhoto/picture alliance
Deputados da Hungria cortam próprio salário em 40%
Parlamentares na Hungria votaram por unanimidade a favor de um corte nos próprios salários e benefícios, numa iniciativa do novo primeiro-ministro, Péter Magyar, para reduzir custos administrativos. O recém-empossado chefe do governo húngaro acusava o seu antecessor, Viktor Orbán, de conceder salários inflados para apaziguar deputados da oposição. (09/06)
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Peru tem disputa acirrada em eleição presidencial
O candidato de esquerda nas eleições presidenciais no Peru, Roberto Sánchez, assumiu a liderança na contagem de votos do segundo turno das eleições peruanas, superando por uma pequena margem a candidata de direita Keiko Fujimori em uma disputa cujo resultado permanece incerto. Com cerca de 450 mil cédulas contestadas que ainda precisam ser revisadas, anúncio do vencedor deve levar dias. (08/06)
Foto: Stifs Paucca/REUTERS
Israel, Hezbollah e Irã trocam ataques, e conflito ameaça sair do controle de novo
O Irã disparou mísseis contra Israel em retaliação ao bombardeio, horas antes, de posições do Hezbollah no Líbano. Regime em Teerã tem condicionado um acordo definitivo de paz na região à inclusão de Beirute. Escalada irritou o presidente americano Donald Trump, que está sob pressão por causa dos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio. (07/06)
Foto: Ohad Zwigenberg/AP Photo/picture alliance
UE vai barrar carne brasileira a partir de 3 de setembro
A União Europeia confirmou a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne de boi e frango, peixe, frutos do mar e mel para o bloco. Argumento é que o país não forneceu garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Argentina, Paraguai e Uruguai, membros do Mercosul, seguem com exportações liberadas. (06/06)
Foto: Silvio Avila/AFP
EUA alertam para pior cenário do surto de ebola
O Centro para Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos EUA exigiu a adoção de medidas rigorosas de saúde pública contra o atual surto de ebola. O órgão alerta que a epidemia caminha para atingir a magnitude da ocorrida na África Ocidental em 2014, que resultou em mais de 28 mil casos e mais de 11 mil mortes. Mais pacientes devem ser diagnosticados, isolados e tratados, afirma a agência. (05/06)
Foto: Xinhua/picture alliance
Fiéis lotam Marcha para Jesus em São Paulo
Uma multidão encheu a Marcha para Jesus, realizada em São Paulo no feriado de Corpus Christi. A programação incluiu shows e orações nos arredores da Estação da Luz. Participaram diversos políticos conservadores, bem como o advogado-geral da União, Jorge Messias. Em tom de campanha, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil vive uma "guerra espiritual". (04/06)
Foto: Miguel Schincariol/AFP
Greve geral contra reforma trabalhista paralisa Portugal
Pela segunda vez em seis meses, uma greve geral paralisou Portugal, em protesto à reforma trabalhista proposta pelo governo. Estimados 65% dos voos foram cancelados, inclusive ao Brasil. Foram ainda afetados outros transportes, hospitais, escolas e coleta de lixo. Para sindicatos, a reforma desregulamenta jornadas, amplia contratos precários, facilita demissões e ataca direitos. (03/06)
Foto: Armando Franca/AP Photo/picture alliance
Urso ataca quatro pessoas em Fukushima, no Japão
Quatro pessoas ficaram feridas após sofrerem ataques de um urso na cidade de Fukushima, no nordeste do Japão. Todos os feridos foram levados ao hospital e estavam conscientes. Entre as vítimas, apenas uma sofreu ferimentos mais graves. (02/06)
Sírio que esfaqueou 4 pessoas na Alemanha pega prisão perpétua
Um sírio de 36 anos foi condenado à prisão perpétua por quatro tentativas de homicídio na Alemanha com motivação terrorista. De acordo com decisão da Justiça alemã, o homem, identificado como Mahmoud M., foi considerado culpado de "tentativa de homicídio" em quatro casos, na qualidade de "membro de uma organização terrorista estrangeira" – no caso, o grupo Estado Islâmico (EI). (01/06)