Presidente declarou, à DW, que vê Ucrânia em "boa posição" para negociar. Kremlin rejeitou possibilidade de um encontro entre ambos fora de Moscou.
Declaração ocorreu em entrevista à DW no CanadáFoto: Misha Komadovsky/DW
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O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou estar disposto a se encontrar com o líder da Rússia, Vladimir Putin, caso ambos sejam convidados para uma cúpula do G20 nos Estados Unidos, em dezembro. "Precisamos nos encontrar, conversar e tomar decisões", disse Zelenski à DW.
"Não se trata de palavras", afirmou Zelenski na entrevista, divulgada neste sábado (12/09). "O que vou dizer a ele ou o que ele quiser me dizer não importa", declarou, referindo-se a Putin. E acrescentou: "O que importa é o resultado."
O Kremlin rejeitou a possibilidade do encontro logo após a divulgação da entrevista pela DW. "É impossível", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à agência de notícias France-Presse (AFP). O porta-voz da presidência da Rússia reiterou a exigência de Moscou para que um eventual encontro entre os líderes se realize na capital russa.
Segundo o Kremlin, ainda não foi tomada uma decisão sobre uma possível participação de Putin na cúpula do G20. "Ainda não sabemos se viajaremos para Miami", disse Peskov, citado pela agência de notícias russa TASS. Já Yuri Ushakov, assessor da Presidência da Rússia, afirmou ao jornal Izvestia que a questão "não foi discutida".
A cúpula de líderes do G20 será realizada em dezembro, em Miami, nos Estados Unidos, que ocupam neste ano a presidência do bloco. Em abril, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a presença da Rússia no encontro seria "provavelmente muito útil". Putin e Zelenski não se encontram pessoalmente desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra na Ucrânia ganharam novo impulso recentemente, após um longo período de estagnação. No último fim de semana, os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner viajaram a Moscou e Kiev para negociações.
Em entrevista à DW, Zelenski classificou a visita dos mediadores como "um sinal positivo".
Também neste sábado, ataques aéreos russos em várias regiões ucranianas no sábado mataram nove pessoas, feriram dezenas e causaram danos a edifícios residenciais e à infraestrutura em todo o país, segundo autoridades.
Ataques russos a edifício residencial em Odessa deixaram 17 pessoas feridas neste sábado (12/09)Foto: Oleksandr Gimanov/AFP
Zelenski vê "boa condição" de negociação
Zelenski afirmou que a Ucrânia está em uma posição mais forte para negociar do que no ano passado. Segundo ele, enquanto Kiev fortaleceu sua posição no front, Moscou continua pagando um "preço alto" por ganhos territoriais limitados.
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"Acreditamos que estamos agora em uma boa posição para negociar", disse o presidente ucraniano.
Durante uma visita ao Canadá, Zelenski anunciou ainda que pretende se encontrar com Trump no fim de setembro, em Nova York. A Ucrânia segue pressionando por mais mísseis de defesa antiaérea Patriot dos Estados Unidos para reforçar sua proteção contra mísseis balísticos.
Às vésperas do inverno, Kiev teme uma nova onda de ataques russos contra a infraestrutura energética ucraniana, como ocorreu no ano passado.
Zelenski afirmou que os Estados Unidos demonstram disposição para ajudar com o fornecimento de armamentos, mas observou que a capacidade de produção de mísseis é limitada. "Eles têm vontade política de vender e ajudar, mas a produção não é tão grande", disse.
O presidente ucraniano defendeu ainda um maior envolvimento dos países europeus no fortalecimento da defesa aérea do país.
Durante a visita ao Canadá, Zelenski recebeu do primeiro-ministro Mark Carney a promessa de apoio adicional na área de defesa antiaérea. Os dois países também firmaram um acordo para ampliar a cooperação militar.
fcl (DW, AFP, Lusa)
Na zona de exclusão radioativa que continua a representar risco para os humanos, fauna regressa de uma forma surpreendente.
Foto: Evgeniy Maloletka/AP Photo/picture alliance
Pior desastre nuclear da história
Chernobyl é mundialmente conhecida pelo desastre de 1986. Em 26 de abril, ocorreu um grave acidente no bloco 4 da usina nuclear ucraniana. Uma nuvem radioativa contaminou a região e se espalhou por grande parte da Europa. Dezenas de milhares de pessoas perderam suas casas e foram deslocadas. O desastre permanece como a pior catástrofe atômica da história.
Quatro décadas depois, Chernobyl, na fronteira entre a Ucrânia e Belarus, continua sendo perigosa demais para os seres humanos. No entanto, a vida animal voltou a se estabelecer no local. Em toda a zona de exclusão de Chernobyl vivem cavalos-de-przewalski. Eles têm corpo robusto, pelagem cor de areia ou castanha e vivem em uma paisagem radioativa maior do que Luxemburgo.
Foto: Evgeniy Maloletka/AP Photo/picture alliance
Sobrevivência em área de exclusão
Conhecidos na Mongólia como "takhi" (espírito) e nativos daquela região, já foram tidos como em vias de extinção. Em 1998, os cavalos-de-przewalski foram introduzidos na zona de exclusão de Tchernobil como parte de um experimento. O nome deles homenageia o pesquisador russo que os descreveu cientificamente pela primeira vez. Vivem em pequenos grupos. Muitos morreram, enquanto outros se adaptaram.
"O fato de hoje existir uma população de cavalos selvagens na Ucrânia é quase um pequeno milagre", afirma Denys Vyshnevskyi, cientista da Reserva Ecológica e de Radiação da Biosfera de Chernobyl. Câmeras ocultas mostram como os cavalos estão se adaptando de maneiras inesperadas: eles procuram abrigo em celeiros e casas abandonadas para escapar do clima rigoroso e dos insetos.
Foto: Evgeniy Maloletka/AP Photo/picture alliance
Volta dos animais selvagens
Também veados-vermelhos voltaram ao vasto território. Os lobos retornaram e, após mais de um século, os ursos-pardos voltaram a se estabelecer na região. As populações de linces e alces se recuperaram. Mas quem demonstra mais capacidade de adaptação continua sendo o cavalo, que se acostumou a paisagens abertas e se sente à vontade também nas áreas parcialmente florestadas da Ucrânia.
Foto: Chornobyl Radiation and Ecological Biosphere Reserve/AP Photo/picture alliance
Olhar da escuridão
A observação dos animais em Chernobyl é trabalhosa e exige muito tempo. Para isso, Vyshnevskyi dirige sozinho por horas pela região. Apesar da persistência da radiação, não foi constatada uma mortandade em larga escala, mas efeitos sutis são visíveis: alguns sapos, por exemplo, desenvolveram a pele mais escura, e aves em áreas mais contaminadas adoecem com mais frequência de catarata.
Foto: Chornobyl Radiation and Ecological Biosphere Reserve/AP Photo/picture alliance
Natureza em transição, apesar dos riscos da guerra
A transformação é visível em toda parte: árvores crescem em edifícios abandonados, e ruas desaparecem sob a floresta. Sem a influência humana, partes da zona de exclusão hoje se assemelham a paisagens europeias de séculos passados, afirma Vyshnevskyi. "A natureza se recupera de forma relativamente rápida e eficaz." Mas desde a invasão russa em 2022, a área passou a estar exposta a novos perigos.
Foto: Evgeniy Maloletka/AP Photo/picture alliance
Guerra torna Chernobyl uma zona militar
Combates, atividades militares e incêndios – muitas vezes provocados por drones – danificaram as florestas e podem levantar partículas radioativas. Mas combates em meio a invernos rigorosos e a infraestrutura destruída também deixam marcas. Para os animais, a zona continua sendo um refúgio, mas seu habitat está cada vez mais sob pressão. Um equilíbrio frágil entre sobrevivência e perigo.
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